COLUNISTAS


19/04/2017
ORLANDO GOMES

Amigo amante da música sertaneja hoje você vai conhecer um pouco da história do poeta e compositor Orlando Gomes.
Com pesquisas realizadas em arquivos de jornais antigos e testemunhos que eu mesmo presenciei. 
Orlando Gomes Araújo, nasceu em Portugal, na cidade de Viana do Castelo e em 1954, e com 12 anos, veio para o Brasil. Sua família já tinha parentes na região de Alto Alegre-SP. Naquela época, o já carpia café e fazia outros serviços relacionados à roça. Orlando já fez de tudo um pouco na vida. Já teve seu escritório de cobranças, trabalhou comprando ossos e ferro-velho na rua, além de outros pequenos serviços. A fotografia sempre foi uma paixão. Desde seus 16 anos já tinha sua máquina a tiracolo e registrava tudo. Este grande artista já tirou milhares de fotos do cotidiano da cidade, seja de pessoas desconhecidas, políticos, artistas, etc. Sempre que há algo novo, lá está Orlando e sua máquina de registrar o dia a dia. A maioria de seu extenso trabalho ainda está nos negativos com mais de quarenta anos de registros do cotidiano da vida penapolense.
Além de um competente fotógrafo, Orlando Gomes já se aventurou no mundo da música. Como sempre gostou de escrever poesias, se dispôs a fazer composições. Ele contava várias histórias no qual ouvi muitas delas na época, confirmadas pela sua fiel esposa, também saudosa Fladir Valente. Segundo Orlando certo dia, indo para a casa dos pais na capital carioca, pernoitou em um hotel em São Paulo. Coincidentemente, era aonde cantores sertanejos como Lourenço e Lourival, Leôncio e Leonel, Tião Carreiro e Pardinho, tinham dois quartos só para ensaios. Entusiasmado com os sertanejos, mostrou algumas de suas poesias e eles gostaram tanto, que acabaram gravando algumas, como "Menina Triste", "Condenado Por Amor", entre outras. Foram cerca de 25 letras gravadas que têm seu nome nos créditos. Existem outras tantas que o compositor vendeu integralmente. 
Dentre suas composições, uma das mais famosas é "Condenado Por Amor", gravada primeiramente por Leôncio e Leonel, depois regravada por Lourenço e Lourival. 
Só escrevia desde que tivesse minha "biritinha" para dar inspiração, brincava Orlando. De fato, na década de 1970, auge de sua fase criativa, a cidade tinha uma vida boêmia conhecida e apreciada.
Ele sempre chegava de suas viagens e ficava nos bares para rever os amigos. Na época, Bar Tabu era o ponto de encontro dos boêmios de plantão em Penápolis. Certa noite, o TAE (Teatro Amador dos Estudantes) estava com sua trupe lá e foi onde ele conheceu Fladir Valente. Ela, sabendo que ele conhecia muitas músicas, lhe perguntou se ele já ouvira uma linda canção chamada "Garota Triste". "Sim, fui eu quem compôs". Daquele dia em diante, começaram a namorar e posteriormente se casaram. 
O Bar e Restaurante Tabu foi "residência" e "escritório" de Orlando por muito tempo. Fazia diariamente poesias e as vendia no Bar em troca do almoço. Publicava-as no jornal com apoio do restaurante, garantindo assim seu sustento e seus aperitivos. Apesar da poesia e do olhar poético serem inerentes, o mundo o modificou muito. Acompanhar muito a trajetória política da cidade e as decepções da vida, fizeram o poeta entristecer. "Não é o mundo que eu pensei que era. Não há poeta que não se desencanta com nossa realidade", dizia Orlando. 
Em 17 de dezembro de 1961 aconteceu, em Niterói, um incêndio de proporções gigantescas no Gran-Circus Norte-Americano. Foram calcinadas cerca de 400 pessoas, entre elas, muitas crianças. O governo da Argentina, cujo presidente na época era Arturo Fondizi, foi solidário e mandou para o Rio de Janeiro muito sangue e pele humana para salvar as vítimas. O governador carioca Roberto Silveira, sensibilizado com o auxílio, mandou uma carta de agradecimento através de um jovem que adorava viajar: Orlando Gomes, que na época visitava os pais no Rio, se aventurou em uma viagem de bicicleta de Niterói até Buenos Aires. Conheceu o presidente do país vizinho e voltou. Antes disso, acabou conhecendo toda a América do Sul de bicicleta. Foram 2 anos, 3 meses e 17 dias viajando e conhecendo lugares históricos como a cidade de Machu Picchu, no Peru ou o lago Titicaca. Quando voltou ao Brasil, já era 1964 e começara a revolução em nosso país. Ele e sua esposa quase repetiram a façanha quando se casaram: compraram uma moto Yamaha 50 cilindradas para viajaram mundo afora, porém não foi possível.
Apaixonado como todo bom poeta, o Orlando considerava Fladir Valente não somente sua esposa, mas um anjo protetor e esclarecedor. Dizia Orlando.
Ambos tiveram dois filhos (Juliana e Rodolfo).
Em uma vida tão fascinante, Orlando só se arrependia de não ter, em sua juventude, apreciado mais o que viu. Orlando Gomes faleceu a exatos 7 anos atrás, aos 67 anos, em 19 de abril de 2010 às 04h30, na Santa Casa de Penápolis, vítima de complicações renais. Orlando Gomes e sua Esposa Fladir Valente estarão sempre vivos na história da Música sertaneja, da poesia brasileira e da memória dos amigos. Por sua grande importância sempre é homenageado. Muita Saudade... Grande abraço companheiros, semana que vem tem mais.



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